Quem somos?

Um grupo de alunas do 1º ano de Medicina Dentária da Universidade do Porto. No âmbito das unidades curriculares Bioquímica II, Biologia Celular e Molecular II e Epidemiologia e Bioestatística II, foi elaborado um projecto com o intuito de estudar, detalhadamente, a doença de von Gierke's (doença de armazenamento de glicogénio).

 
História

1929 - von Gierke: 1º relato da doença Glicogenose tipo I, num artigo intitulado “Hepato-nefro-megalia-glicogénica”; demonstração de evidências clínicas, patológicas, microscópicas e bioquímicas de acumulação exagerada de glicogénio no tecido hepático (através da autópsia de dois jovens que apresentavam várias manifestações hemorrágicas).
1952 - Gerty e Cori: estudo da actividade da glicose-6-fosfatase (G6Pase) em homogenizados hepáticos de doentes com glicogénio aumentado no fígado, verificando-se que, em dois deles, essa actividade era extremamente baixa.
1976 / 1977 - Nordlieetal: através de biópsias de fígado, mostrou níveis de G6Pase normais, mas a sua actividade diminuída.
1993 - JaniceChou e sua equipa: clonagem e caracterização do gene da G6Pase humana, localizado no braço longo do cromossoma 17; identificação de algumas mutações causadoras da Glicogenase I.
Lange e colaboradores: após a descrição da Glicogenose tipo Ia (GSD1a), verificaram que, em alguns doentes com GSD1, a G6Pase tinha uma actividade normal em tecido congelado. Nestes casos, a G6Pase está latente nos microssomas intactos e retoma a sua actividade quando estes são permeabilizados, permitindo o contacto directo entre a enzima e o substrato. Ou seja, o problema encontra-se no transportador (G6PT) que introduz o substrato, a glucose-6-fosfato (G6P), no lúmen do retículo endoplasmático. O gene que se encontra alterado neste subtipo, denominado Glicogenose tipo Ib (GSD1b), foi localizado na região 11q23.
1983 - relato de um caso de Glicogenose tipo Ic (GSD1c); defeito no hipotético transportador responsável pelo transporte de Pi do RE para o citoplasma. Fenske e colaboradores localizaram o gene responsável pela GSD1c no braço longo do cromossoma 11.
Outros autores: duvidaram da existência de transportadores diferentes para o G6P e para o Pi devido ao facto deste gene se encontrar em localização idêntica à do gene do G6PT; defenderam que, apenas devem ser considerados dois tipos de GSD1: GSD1a e GSD1b.
2008 - Chen e colaboradores: descobriram que o gene do G6PT se encontra mutado nas GSD1b e GSD1c e que o G6PT (trocador) introduz G6P no RE e retira o Pi formado.
Actualmente acredita-se que os doentes anteriormente diagnosticados com GSD1c são, na realidade, possuidores de GSD1b.
Apesar de se ter admitido a existência de uma alteração numa hipotética proteína estabilizadora da G6Pase que seria responsável pela Glicogenose 1aSP, foi demonstrado que os doentes que foram diagnosticados desta forma têm uma mutação no gene que codifica o componente catalítico, pertencendo, portanto, ao subtipo GSD1a. Do mesmo modo, não há evidências genéticas, ou outras, que permitam considerar a existência da Glicogenose 1d (GSD1d), que seria causada por deficiência na saída da glicose do RE.
O mecanismo de transporte da glicose na membrana do RE é ainda desconhecido.

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